
Cabedelo vista aerea
Fundada em fins do século XVI, na década de 1580, quando se edificou Cabedelo, este pertencia ao município de João Pessoa. Através da Lei nº 283, de 17 de março de 1908, teve autonomia, ficando o povoado elevado à vila. Perdeu os foros de vila e município, por Lei Estadual nº 676, de 20 de novembro de 1928, a qual anexou o seu território ao município da Capital. Em divisão administrativa de 1933 voltava a figurar como distrito do município de João Pessoa. Com a Lei Estadual nº 1631 de 12 de dezembro de 1956 mais uma vez voltava Cabedelo à categoria de município, compondo-se de um único distrito. Aquele diploma legal cria a Comarca, por desmembramento da Capital, cuja instalação do novo município estava prevista para 04 de abril de 1959 sendo, contudo instalado a 31 de janeiro de 1957.
É uma cidade que faz parte da região metropolitana de João Pessoa, mas que tem uma personalidade própria e encantadoramente discreta. Cabedelo é uma cidade portuária e fica numa península entre o Oceano Atlântico e o Rio Paraíba. Seu nome vem da expressão que significa “pequeno cabo”. O Porto de Cabedelo é a grande entrada e saída comercial do Estado. Lugar de história rica, Cabedelo é cheia de momentos importantes na vida paraibana e nacional.
Fortaleza de Santa Catarina

Forte de Santa Catarina
Principal construção histórica de Cabedelo, a Fortaleza de Santa Catarina, fica localizada na praia de Santa Catarina. Nesta praia há o encontro do Rio Paraíba com o Oceano Atlântico, conhecido como a “pororoca da paraibana”.
Construção:
Possivelmente em 1585 foi erguida a Fortaleza de Santa Catarina, por ordem do donatário da Capitania da Paraíba, Frutuoso Barbosa e tinha como objetivo servir de apoio para os navios da coroa portuguesa que aportavam na capitania para extraírem e exportarem o pau-brasil e impedir os ataques indígenas às povoações (fato que era constante durante a colonização) e estabelecimento de nações estrangeiras que, fascinadas pelas riquezas da terra brasileira sempre procuraram invadi-la e explorá-la. A obra de construção original era em taipa e foi dirigida pelo alemão Cristóvão Lintz (Lins), que contou, no primeiro momento, com o apoio de 110 soldados espanhóis sediados na Cavalaria de Olinda. 100 escravos negros e índios que recebiam como salário alimentos, utensílios domésticos (jarros, colheres, pratos, espelhos, bebidas, etc.), e em alguns casos armas. A Fortaleza passou a chamar-se Forte de Cabedelo, mais tarde, em homenagem a Duquesa Portuguesa Dona Catarina de Bragança, em seguida passou a chamar-se Fortaleza de Santa Catarina, fato que coincidiu com a existência de uma pequena capela erguida no interior do Forte dedicada a Santa Catarina de Alexandria.
No contexto político internacional a partir de 1580, Portugal passou a ser dominada pela Espanha. A Espanha estava em guerra com os Países Baixos (Holanda e Bélgica) e os holandeses foram proibidos de freqüentar os portos das colônias Portuguesas. Esse fato, associado às dificuldades advindas da Guerra levou rapidamente a Holanda ao externo empobrecimento.
Enquanto Portugal e Espanha beneficiavam-se do Tratado de Tordesilhas, defendiam o mare clausum, isto é, o mar fechado, o monopólio dos mares pelas suas frotas mercantis, nações mais dinâmicas e bem estruturadas, tanto do ponto de vista técnico como do militar, como a Inglaterra e Holanda, sustentavam a doutrina de maré librum, isto é, a liberdade dos mares.
Como resultado, o início do século XVII registrou intensa pirataria, por via da qual navegadores a serviço de nações partidárias da liberdade dos mares procuravam contornar o monopólio ibérico. Antes mesmo de começar o século, em 1595, o corsário inglês Jaime Lancaster reuniu seus navios à altura do Cabo Branco, na Paraíba, para saquear o porto de Recife.
Os holandeses possuíam pretensões mais ambiciosas e elaboradas. Nação avançada, dispunha de barcos, bolsas de valores e sociedades por ações montadas sobre capitais particulares. Duas dessas últimas, as Companhias das Índias Orientais e das Índias Ocidentais, foram incumbidas de ocupar as colônias luso-espanholas e explorá-las.
Ataque Francês:
Em 1597 a Fortaleza, então comandado por João de Mattos Cardoso foi por uma esquadra de 13 navios, 350 homens e índios. A Fortaleza estava muito pouco artilhada, com a sua estrutura incompleta e poucos homens. Apresar disso os franceses foram repelidos com grandes baixas.
Ataques Holandeses:
Em 1625 a Fortaleza Santa Catarina foi atacada por tropas holandesas, mas foram derrotadas. Em 1631 o Forte foi novamente atacado, desta vez por 26 navios e 3 mil homens, após muita luta os Portugueses obrigaram a tropa holandesa e debandar.
Em 1634 os holandeses já ocupavam Pernambuco, parte de Alagoas, o Rio Grande do Norte e parte do Ceará. Restava apenas a Paraíba, encravada no meio do domínio holandês. No mês de dezembro uma esquadra de 32 navios e 2.400 soldados atacaram a Fortaleza de Santa Catarina, a cidade de Filipéia (João Pessoa) foi abandonada e a Fortaleza sitiada por vários dias. Antônio de Albuquerque Maranhão era o Governador da Capitania e, sem condições de sustentar os combates por mais tempo rendeu-se. Iniciava-se o Domínio Holandês na Paraíba.
Logo quando tomaram posse da Fortaleza os holandeses mandaram celebrar um culto de ação de graças, essa foi a primeira cerimônia protestante na Paraíba.
Entre as primeiras providências, os holandeses mudaram o nome da capital para Frederica e a Fortaleza passou a chamar-se Margareth em homenagem supostamente a mãe ou irmã do Conde Maurício de Nassau.
Com relação ao tratamento dado aos índios e escravos pouca coisa mudou. O casamento inter-racial foi duramente combatido, inclusive com a deportação, entretanto, eram comuns os casos de holandeses que se casaram com índias e escravas.
O domínio holandês foi marcado por instabilidade da capitania, eram constantes as emboscadas, massacres, e todos os tipos de ações exorbitantes, algumas vezes até mesmo reconhecidas e condenadas pelo Governo Holandês em Recife. Todavia a cultura açucareira prosperou rapidamente, fazendo do Brasil o maior exportador mundial do produto.
O açúcar brasileiro gerou recursos que mais tarde possibilitaram outras investidas feitas pelos holandeses em outras colônias, como por exemplo às ilhas Antilhas.
Foi graças ao aprendizado da cultura açucareira, absorvido pelos holandeses, que as ilhas caribenhas e Antilhas tornaram-se um considerável exportador do produto. Esse fato fez o preço do açúcar cair drasticamente no mercado internacional. O açúcar brasileiro perdeu aos poucos sua posição e não mais conseguiria ser o produto chave da agricultura. Terminava assim o ciclo da cana-de-açúcar.
Em 1637, o Conde Maurício de Nassau, governador holandês no Brasil, veio visitar a Paraíba e, entre outras providências, ordenou a demolição do Forte de Santo Antônio e a reforma da Fortaleza de Santa Catarina, a qual já havia batizada de Forte Margareth em homenagem a sua mãe ou irmã.
Os moradores de Cabedelo, depois da mudança oficial do nome do forte, passam a chamá-lo de Forte do Cabedelo ou Forte de Mattos, sendo esta última denominação uma homenagem ao Comandante João de Mattos Cardoso que ficou à frente da Fortaleza por quase trinta anos. Para a historiadora Vilma Monteiro, esse fato é um sinal de resistência da população de Cabedelo à dominação holandesa.
Insurreição Pernambucana:
Com o fim da União Ibérica, Portugal tratou rapidamente de estabelecer um Maurício de Nassau armistício com a Holanda, chegando inclusive a acordar em conceder a posse das terras ocupadas em troca de os holandeses não mais se introduzirem no interior do País. Sob o julgo holandês os brasileiros criaram um movimento contra ocupação, cujo principal foco era Pernambuco.
A insurreição contou com muito pouco da coroa e as milícias eram formadas quase que totalmente por agricultores e senhores de Engenhos. Muitos dos quais haviam se endividado com os holandeses anos atrás.
A Queda do Domínio Holandês:
Quando o Brasil foi ocupado havia a intenção de estabelecimento permanente, tanto assim que Nassau trouxe da Europa arquitetos, artistas, escultores, astrônomos e pessoas letradas que o ajudaram a urbanizar e construir a Cidade Maurícia dos Recifes, que deveria ser a sede do Governo da Colônia Holandesa no Brasil.
Muitos foram os fatores que contribuíram para a queda do domínio holandês, entre os principais podemos destacar os seguintes:
a) Desacordos no comando das ações holandesas;
b) Falta de reinvestimentos financeiros na conquista;
c) Preocupação externa com a exploração da terra, sem que fossem criados os mecanismos necessários a sua manutenção.
Em 1654 os holandeses perderam o controle sobre a capital da Paraíba e passaram a ocupar apenas o Forte de Cabedelo. Ao mesmo tempo em que Recife era assinado o Termo Geral de Rendição Holandesa, o Comandante Holandês Hautijin abandona o Forte do Cabedelo, libertando todos os seus prisioneiros. A partir daí, termina o Domínio Holandês no Brasil, e os portugueses voltaram a dominar a Fortaleza e toda a região de Cabedelo, é o fim das Guerras do Açúcar.
Com a expulsão dos holandeses do litoral paraibano, a Coroa Portuguesa passou a investir na reconstrução da Fortaleza de Santa Catarina, que estava em péssimo estado devido às lutas que foram necessárias para que os portugueses conquistassem o território. Mais uma vez, a atenção que Portugal dedicava a Cabedelo não dizia respeito às necessidades da população em geral, mas voltava-se para a segurança da região.
Em 1675, o rei de Portugal enviou carta-régia mandando construir nova Fortaleza de Cabedelo. Essa seria a primeira de muitas cartas-régias que se seguiram solicitando a construção ou reconstrução de partes da Fortaleza.
Em 1722, o engenheiro Joseph da Silva Paes, vindo de Pernambuco, enviou uma carta ao rei de Portugal informando sobre as péssimas condições em que se encontrava a Fortaleza e a necessidade de reconstruí-la, sendo citada a urgência de desentulhar os fossos, terraplanar o caminho até a Fortaleza, o concerto do parapeito das canhoneiras, construção da plataforma de lajedo, armazém de pólvora e cisterna. No ano de 1726 nova ordem régia mandou continuar as obras da Fortaleza, sendo usada nesse trabalho à mão-de-obra indígena ao preço de meio tostão ao dia.
Como temos visto a história de Cabedelo tem sua origem ligada à defesa da Capitania da Paraíba. Esse fato fez com que a povoação ao longo dos séculos XVI, XVII e XVIII, surgisse e se desenvolvesse em torno da Fortaleza de Santa Catarina. No final do Século XIX, tal situação começa a mudar. A Fortaleza vai, aos poucos, perdendo seu papel de destaque, até ser abandonada.
Monumento à N.S. dos Navegantes

Monumento de Nossa senhora dos Navegantes
Nossa Senhora dos Navegantes é o nome popular dado à Nossa Senhora Auxiliadora. No candomblé ela é conhecida como Iemanjá, a rainha do mar.
Este monumento foi construído no final do século XIX por um devoto de Nossa Senhora Auxiliadora como dívida de uma promessa. Este devoto se viu em apuros durante um acidente de barco no rio Paraíba e recorreu à sua fé pela santa. Construiu nas areias da praia de Ponta de Mattos um monumento à ela que ouviu as suas preces desesperadas.
Farol da Pedra Seca

Faraol da Pedra seca
O primeiro farol no Estado da Paraíba, inaugurado em 7 de setembro de 1873, foi encomendado pelo engenheiro e fidalgo Zósimo Barroso, em 1869. Fazia parte de um conjunto de nove torres de ferro forjado da P&W Maclellan (Glasgow), com 14,5 metros de altura, e um aparelho lenticular fixo de 4ª ordem da Barbier & Fenèstre (Paris). Era o que havia de melhor em sinalização náutica.
O sinal, que indica a barra do Rio Paraíba, foi erguido em uma laje que aflora na maré baixa, conhecida como Pedra Seca, situada a cerca de uma milha da costa. A história conta que foi construído em terra firme e hoje encontra-se a 400m da beira mar.
Para a montagem do farol, construiu-se uma rígida base de alvenaria, com a finalidade de receber as placas metálicas que formariam a estrutura da torre octogonal.
Em 1922, o queimador original foi substituído por um eclipsor AGA automático, a acetileno. Com isso, a vigília dos faroleiros pôde ser substituída por confortáveis visitas bimestrais. Hoje, com o emprego de elementos fotovoltaicos, o farol está totalmente automatizado. Seu alcance luminoso chega a 16 milhas náuticas.
Mantido pela Capitania dos Portos da Paraíba, é um dos pontos de atração do nosso litoral. Até hoje o Farol da Pedra Seca desempenha uma função importantíssima para a cidade. O canal de acesso para o Porto de Cabedelo tem este monumento cabedelense como referência. Nas noites escuras pode-se ver o brilho que guia marinheiros e pescadores já por tantos anos. Sua imponente exuberância permanece firme, em conjunto com nossa natureza, embelezando ainda mais a nossa terra.
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